Fenômenos espaciais · Intermediário

Como as auroras se formam

Partículas do vento solar, guiadas pelo campo terrestre, excitam gases da alta atmosfera. A desexcitação emite luz.

Publicado em 8 de setembro de 2026 Atualizado em 8 de setembro de 2026 Leitura de cerca de 10 minutos

Introdução

Nas noites certas, o céu polar ganha cortinas verdes e, às vezes, vermelhas. Não é reflexo de gelo e não é cidade distante. É o ar rarefeito, a mais de 100 km, recebendo elétrons e prótons e devolvendo luz ao relaxar.

O palco é a magnetosfera. O diretor é o Sol, que sopra um vento de plasma e, de quando em quando, uma ejeção de massa coronal.

Explicação em linguagem acessível

O campo terrestre desvia a maior parte do vento solar. Nas regiões polares magnéticas, as linhas se abrem para a cauda e para funis. Partículas aceleradas precipitam e colidem com átomos e moléculas.

Oxigênio atômico, excitado, emite no verde (cerca de 558 nm) e, em altitudes ainda maiores e com menos colisões, no vermelho. Nitrogênio contribui com azuis e púrpuras e com a borda avermelhada de algumas cortinas.

Conceito físico envolvido

Excitação e desexcitação: o mesmo vocabulário da lâmpada, em gás ralo. A cor é a diferença de energia entre níveis, convertida em fóton. A forma das cortinas segue o campo e as correntes na ionosfera.

Como o fenômeno acontece

Partículas carregadas precipitam perto dos polos magnéticos e excitam o ar rarefeito.
Partículas seguindo linhas de campo até a alta atmosfera.

Uma tempestade geomagnética comprime e agita a magnetosfera. O oval auroral — o anel em torno do polo magnético — incha e desce em latitude. Em latitudes médias e baixas, ver aurora é excepcional e ligado a eventos raros; nas altas latitudes, é rotina de inverno.

Exemplos cotidianos

  • Aurora boreal na Escandinávia; austral na Antártida e no sul da Nova Zelândia.
  • Imagens de satélite da NASA e da NOAA mostrando o oval inteiro.
  • O evento de Carrington, no século XIX: auroras em latitudes baixas e falhas em telégrafos — um aviso histórico, não um espetáculo inofensivo para redes.

Equívocos comuns

  • Não é o Sol ‘pintando’ o céu com fogo. As partículas são tenues; a luz é emissão atômica.
  • Não é o mesmo que relâmpago: não há nuvem de tempestade local nem trovão associado.

Aplicações práticas

Alerta de clima espacial para satélites, GPS e redes elétricas. Turismo em latitudes altas. Ciência da ionosfera. O INPE publica acompanhamento do tema.

Curiosidades

  • Astronautas na ISS veem auroras de lado, como um anel sob a órbita — perspectiva que a NASA publica com frequência.

Fontes consultadas

  1. Auroras — NASA. https://science.nasa.gov/sun/auroras/
  2. Space weather — NOAA SWPC. https://www.swpc.noaa.gov/
  3. Clima espacial — INPE / EMBRACE. https://www.gov.br/inpe/pt-br

Equipe Editorial Kanshulu. Publicação e atualização: 8 de setembro de 2026.